Vinha

Excelência da matéria prima

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É na excelência da matéria prima que assenta toda a produção vinícola da Fundação.

A área de vinha da Fundação Eugénio de Almeida é composta pelas vinhas das herdades de Pinheiros, Casito, Álamo da Horta e da Quinta de Valbom. A escolha das castas alentejanas consagradas e recomendadas para a Denominação de Origem Controlada Alentejo, (sub-região de Évora), tem sido fundamental na criação dos seus vinhos.

Dispõe hoje de mais de 400 hectares de área de cultivo próprio, com vinhas em permanente processo de renovação e reconversão, criteriosa e tecnicamente fundamentado e executado. A selecção das castas que sustentam a produção vinícola da Fundação resulta da sábia combinação entre a vasta experiência já construída e a informação técnico-científica de que hoje se dispõe.

Os padrões definidos para a qualidade da uva são de grande exigência sendo canalizado para a produção vitícola um vasto conjunto de recursos ao nível da qualificação dos técnicos intervenientes bem como de todos os processos laboratoriais envolvidos nesse controle de qualidade. É feita uma análise e escolha meticulosas das parcelas (natureza do solo, relevo, exposição solar...), das castas utilizadas e de todos os demais procedimentos técnicos de intervenção na planta durante a produção do fruto.

Nos vinhos brancos são usadas sobretudo castas alentejanas importantes como a Roupeiro, a Antão Vaz e a Arinto. Os vinhos tintos da Fundação são obtidos a partir de castas tradicionais reconhecidas, como a Trincadeira, a Aragonês e a Castelão. Em parte residual usam-se também castas menos tradicionais mas igualmente muito qualitativas.

A condução das vinhas é feita de acordo com a qualidade que se pretende atingir no produto final e, simultaneamente, por forma a que se cumpram critérios de preservação ambiental. Ao longo de todo o ciclo de produção da planta são montados ensaios reais para avaliação de parâmetros previamente definidos. É assumida uma preocupação e esforço constantes no sentido de ir sempre mais além no desenvolvimento de procedimentos que, sem prejuízo da qualidade final da uva, se aproximem sempre mais do respeito integral pela qualidade do ambiente.

Com vista a uma máxima optimização de recursos, cada parcela de vinha é tratada e trabalhada individualmente ao longo do ano de acordo com a idade, a casta ou as características do solo e sempre tendo em vista o vinho específico a que se destina. Quatro meses antes da vindima a produção é estimada, talhão a talhão, intervindo-se, se necessário, para que se atinja o potencial produtivo pretendido.

Na última fase do ciclo da planta e 45 dias antes da colheita, é feito o acompanhamento semanal do estado de maturação de cada parcela de vinha. Há um trabalho laboratorial de análise de amostras (colhidas, no mínimo, semanalmente), com base em parâmetros físico-químicos e intervenção técnica no terreno, dos quais resulta a determinação da data para a vindima. A colheita da uva é feita maioritariamente em vindima manual diurna (toda a uva branca e 75% da uva tinta) e, para cerca de 25% da uva tinta é usada uma máquina vindimadora.

A máquina vindima de madrugada uma vez que as temperaturas diurnas provocariam um nível indesejado de dilaceração dos bagos. Inicia a colheita apenas entre as zero horas e a uma hora para que os frutos já tenham sofrido algum arrefecimento e libertado a maior parte da radiação absorvida durante o dia. O transporte da uva já colhida até à adega é assegurado da forma mais rápida possível e em recipientes de pequena capacidade ou, quando maiores, com uma geometria que favoreça a integridade dos bagos (maiores em extensão em detrimento da altura).

A colheita diferenciada de cada casta, em função das suas necessidades de maturação é também um dos critérios técnicos que optimiza a produção. A rega constitui uma técnica necessária à obtenção de uva de qualidade em anos de excessiva secura. A Fundação, através do seu corpo técnico, presta particular atenção a esta variável fazendo opções fundamentadas no rigor científico e na experiência acumulada.

O sistema de rega gota-a-gota enterrada, introduzido pela Fundação em meados dos anos 90, foi pioneiro em Portugal, e objecto de estudo e investigação. Em nome da preservação ambiental, os tratamentos químicos são apenas os estritamente necessários, o que obriga a uma vigilância mais cuidadosa e sistemática da saúde de cada planta.

A Fundação Eugénio de Almeida também abre as suas portas à comunidade científica. Através de protocolos estabelecidos com a Universidade de Évora e outras instituições, tem sido possível a realização de um trabalho de parceria técnico-científica de grande relevo, cujo início remonta a meados dos anos 80 do passado século.

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